sábado, 5 de maio de 2012

Richard D. Wolff: O que o capitalismo proporciona

'O capitalismo não funciona'. A maior parte dos presidentes atravessam um ou mais períodos econômicos maus (recessões, depressões, crises, etc). Todo presidente desde pelo menos Franklin Dellano Roosevelt gerou um "programa" para responder ao período mau – tal como era pedido pelos cidadãos e os negócios.

Por Richard D. Wolff*







FDR e todo presidente posterior prometiam que o seu programa iria "não só livrar os EUA das perturbações econômicas atuais como também garantiria que nem nós nem os nossos filhos precisarão enfrentar tais períodos maus no futuro". Obama foi apenas o mais recente a dizer isso.

Nenhum presidente foi capaz de manter tal promessa. A atual crise capitalista, agora a meio caminho no seu quinto ano sem fim à vista, prova que o impedir de futuros períodos de baixa capitalista iludiu todo presidente do passado e todos os seus prestigiosos e bem pagos conselheiros econômicos. Uma vez que o programa do presidente Obama não é basicamente diferente os anteriores programas presidenciais, não há razão para esperar que ele tenha êxito.

O fracasso em impedir crises capitalistas condenou milhões dos nossos companheiros cidadãos a repetidas devastações de perdas de empregos, benefícios e segurança além de lares arrestados e perspectivas negras para os nossos filhos. Os custos familiares e econômicos do fracasso em lidar com crises capitalistas são estarrecedores. Hoje dezenas de milhões de americanos ou não têm trabalho ou devem aceitar empregos em tempo parcial quando precisam e querem trabalho a tempo inteiro. De acordo com o governo dos EUA, aproximadamente 30 por cento das ferramentas, equipamentos, fábricas, escritórios, espaço comercial e matérias-primas permanecem ociosos. Este sistema capitalista priva-nos da produção e riqueza que podia ser produzida se os empregos negados ao povo fossem combinados com os meios de produção ociosos.

Essa produção poderia reconstruir nossas indústrias e cidades, poderia convertê-las em instituições ambientalmente respeitáveis e poderia aliviar a pobreza nos EUA e mais além. Se empregados, aqueles agora sem empregos podiam ter vidas melhores, manterem seus lares e serem produtivos. Todos nós poderíamos beneficiar-nos enormemente se não fosse o fracasso abjecto do capitalismo para combinar as pessoas que querem trabalhar com meios de produção não utilizados para o que precisamos.

O problema básico tão pouco tem a ver com políticas e programas governamentais. Afinal de contas, os principais partidos políticos, os políticos, lobistas e seus aliados na mídia e na academia cantam todos em uníssono para celebrar o capitalismo. Eles têm insistido ao longo dos últimos cinquenta anos em que a crítica o capitalismo, não importa quão fraco seja o seu desempenho, era tola, sem fundamento, absurda, desleal ou pior. A sua lenga lenga tem sido "o capitalismo cumpre as promessas" ("capitalism delivers the goods").

Por trás da cobertura protectora de uma proibição da crítica quase total, o sistema capitalista estado-unidense deteriorou-se (o resultado habitual quando é proscrita a crítica pública de uma instituição social). Desde o desencadeamento desta crise em 2007, o capitalismo tem estado a "proporcionar dificuldades" à maior parte de nós. Ele ameaça de modo crescente proporcionar dificuldades ainda piores nos anos pela frente. Promotores acríticos do capitalismo estão agora a pressionar o governo a reduzir serviços públicos exatamente quando a massa de americanos os necessita mais do que nunca. O seu slogan e programa básico insistem: "recuperação" econômica para poucos e austeridade para muitos.

Nas décadas de 1950 e 1960, o escalão de rendimento individual que tributava os americanos mais ricos era de 91%, ao passo que hoje é de 35%. Em 1977, o imposto que as pessoas pagavam sobre "ganhos de capital" (ao venderem ativos como ações e títulos a preços superiores aos pagos por eles) era de 40%. Hoje aquela taxa é de 15%. A massa do povo nunca desfrutou de cortes fiscais tão maciços. Estes cortes fizeram os ricos ainda mais ricos enquanto forçavam o governo a tomar dinheiro emprestado para substituir o que já não podia ser obtido através dos impostos sobre os ricos. Como é grotesco que os ricos agora utilizem dívidas do governo como desculpa para eliminar serviços públicos para a massa dos americanos!

A solução para crises capitalistas como aquela que hoje nos aflige não é que o presidente promova outro programa de reformas, regulamentações, estímulos econômicos e orçamentos deficitários. Já passamos por isso e já o fizemos. Isso nunca funcionou para impedir este sistema econômico de condenar o povo a "tempos difíceis" infindavelmente repetidos. Há muito que se deve sujeitar o capitalismo à crítica séria, aberta e pública e debater o que nunca deveria ter sido reprimido. Precisamos examinar se e como os EUA podem fazer algo melhor do que o capitalismo.

Os sistemas econômicos nascem, evoluem no tempo e morrem – como todas as instituições humanas. Em resultado do fim da escravidão e do feudalismo, nasceu o capitalismo. Ele prometia, nas palavras dos revolucionários franceses, "liberdade, igualdade e fraternidade". Fez alguns progressos genuínos rumo àqueles objectivos. Contudo, também ergueu alguns graves obstáculos para alguma vez alcançá-los. O principal deles foi a organização da produção no interior das empresas capitalistas.

Nas empresas corporativas capitalistas que hoje dominam a economia, os seus grandes acionistas e os conselhos de administração que eles selecionam estão na não democrática posição exclusiva de tomarem todas as decisões chave. Os grandes acionistas e conselhos de administração constituem uma pequena minoria daqueles diretamente ligados a empresas capitalistas. A maioria são os trabalhadores das empresas e as populações de comunidades dependentes das mesmas. Mas as decisões da minoria (acerca do que, como e onde produzir e o que fazer com os lucros) impactam a maioria – incluindo provocar crises – sem permitir à maioria qualquer papel direto na tomada de tais decisões. É então dificilmente surpreendente que a minoria exija e esteja em posição de tomar para si própria a riqueza e a fatia de rendimento do leão. Ela igualmente compra o controle da política a fim de impedir a maioria de utilizar o governo para retificar as suas desvantagens e privações econômicas. Eis porque agora temos salvamentos governamentais para os ricos e austeridade para o resto de nós.

A menos que a sociedade se movimente para além da organização capitalista da produção, as crises econômicas continuarão a acontecer e a gerar falsas promessas de políticos de que as impedirão. É ingênuo esperar que a minoria responsável por um sistema que para ela ainda funciona bem democratize a economia e a política. Esta é a tarefa central dos 99%.

*Richard D. Wolff é professor emérito da Universidade de Massachusetts-Amherst e professor visitante no Programa de Graduação em Assuntos Internacionais da New School University, Nova Yok. 

Fonte: Pátria Latina
Apud P. Vermelho

Verticalização em SP irá saturar meio ambiente, diz ativista


No futuro, a capital paulista poderá ser mais poluída, barulhenta, mais quente e intensamente verticalizada. Esse quadro ainda pior do que os paulistanos vivem na atualidade pode se tornar realidade se a prefeitura da capital paulista colocar em prática alguns conceitos em discussão no “Plano SP 2040”, avalia o diretor de comunicação do Movimento Defenda São Paulo, Sérgio Reze.

Por Suzana Vier*




A ONG faz parte do conselho consultivo que discute o plano – de iniciativa da administração municipal – e vê equívoco nos conceitos que foram escolhidos para nortear a São Paulo do futuro, como a noção de “cidade compacta”. Também há problemas na forma como a consulta à população foi realizada.

“O conceito de cidade compacta foi importado da Alemanha, mas de cidades muito menores, que não têm um milhão de habitantes”, disse Reze. “Mas querem colocar esse conceito em São Paulo, que já é espraiada. É totalmente diferente a necessidade.”

A ideia de cidade compacta foi incorporada à consulta pública que a prefeitura encerrou no final de 2011, por meio de questionário no site do SP2040. Segundo Reze, a administração de Gilberto Kassab (PSD) partiu de conceitos prontos e superficiais que não refletem as necessidades dos moradores de cada região da cidade. 

“Essa primeira etapa não propiciou discussão da base para cima, dos locais que as pessoas vivem para cima”, afirmou. “É muito genérico quando você pergunta se as pessoas querem chegar em 30 minutos em qualquer lugar, porque afinal todo mundo quer. Indagar se as pessoas querem uma cidade agradável, segura, todo mundo quer.”

Diante das respostas já esperadas da população à consulta, o ativista teme que o conceito de cidade compacta sirva “para legitimar o desejo do setor imobiliário de verticalizar cada vez mais São Paulo. Vai continuar o processo de saturação do meio ambiente inclusive urbano”.

De acordo com o site do projeto, o SP2040 discute um “plano de longo prazo que pretende orientar uma ampla transformação da cidade nas próximas décadas, apontando para formas de organização social, econômica, urbana e ambiental que assegurem o uso inteligente dos seus recursos e promovam melhores condições de vida para a população”. Entre outros planos para o futuro da cidade, “a São Paulo de 2040 deve se tornar uma base eficiente do ponto de vista territorial e funcional garantindo um bom desempenho urbano para exercer um papel decisivo na internacionalização da economia nacional”.

Ainda segundo a descrição do projeto, "os pesados investimentos necessários para atingir esses patamares terão sido realizados com base tanto na prioridade orçamentária quanto na capacidade de antecipar recursos por meio de parcerias público-privadas lastreadas na valorização dos ativos da cidade. Terá sido fundamental São Paulo assumir e intensificar sua vocação histórica de centro financeiro e de negócios constituindo-se em polo global de atração de investimentos e principal referência no hemisfério sul".

Sem horizonte

O ativista do Movimento Defenda São Paulo analisa que aumentar a verticalização de São Paulo sem resolver problemas de infraestrutura irá piorar a vida na cidade. “A gente não tem infraestrutura de saneamento, rede coletora de esgoto, transporte coletivo. Primeiro a prefeitura deveria resolver esses problemas para reorganizar posteriormente onde for possível", disse. "Quando você põe muitos prédios juntos cria ilhas de calor e efeito estufa, impede a dispersão de poluentes, cria problemas de ruído, diminui a capacidade de circulação do ar e onde tem muitos prédios concentrados não há linha de horizonte.”

Embora a discussão sobre o futuro de São Paulo seja muito bem vista, a ideia de tentar implantar uma cidade compacta, em uma que já é espraiada, pode significar novo impulso ao setor imobiliário. “Dentro do projeto SP2040 há viés de cidade compacta, apontando que será mal usado, para mais uma vez favorecer o setor imobiliário”, afirma.

Reze já vê traços de aplicação desse conceito na área central da capital paulista, onde a prefeitura tenta emplacar o projeto Nova Luz. A medida, que pretende revitalizar a região da Luz com privatização do bairro, enfrenta resistência de moradores e comerciantes da região. A intervenção prevê a reforma de 45 quarteirões com desapropriação de até 50% dos imóveis da região por empresa privada. Segundo lojistas, a privatização do bairro da Luz abre brechas para a privatização de outros bairros e submissão da população aos interesses da iniciativa privada.

“Não se pode usar o conceito da cidade compacta para pegar lugares da cidade onde tudo já está construído e as pessoas já vivem, para legitimar o que o setor imobiliário quer, como o que está ocorrendo na Nova Luz. A área precisa de uma requalificação, mas não destruir tudo para verticalizar intensamente”, disse Reze.

*Suzana Vier é jornalista.

Fonte: Rede Brasil Atual

Apud P. Vermelho

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ditadura 'incinerou' comunistas

Um mistério que já 38 anos pode ter chegado ao fim. No livro "Memórias de uma Guerra Suja", o ex-delegado do Departamento de Ordem Político Social (DOPS) do Espírito Santo, Cláudio Antônio Guerra, que trabalhou na repressão aos opositores do regime militar, revela que o corpo do potiguar Luiz Ignácio Maranhão Filho, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi incinerado na fornalha de uma usina de processamento de açúcar no interior do Rio de Janeiro. Luiz Maranhão foi preso em São Paulo no dia 3 de abril de 1974 quando saía de uma reunião com  dirigentes do PCB. Ele foi detido por homens do temido delegado Sergio Paranhos Fleury, colocado numa viatura policial e levado para DOPS. 
www.dhnet.org.brLuiz Maranhão Filho: uma nova versão para a morte do militante do Partido Comunista BrasileiroLuiz Maranhão Filho: uma nova versão para a morte do militante do Partido Comunista Brasileiro

O livro, escrito pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros com base em depoimento do ex-delegado, revela o destino dos corpos de uma dezena de militantes políticos que até então era um mistério. Além de Luiz Maranhão, foram incinerados na usina de açúcar João Batista e Joaquim Pires Cerveira, detidos na Argentina pela equipe do delegado Fleury; Ana Rosa Kucinsk e Wilson Silva; David Capistrano, João Massena Mello, José Roman, dirigentes históricos do PCB;  Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da Ação Popular Marxista Leninista (APML).

De acordo com Cláudio Guerra, o corpo de Ana Rosa "apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente." Wilson não tinha as unhas da mão direita. Os torturadores arrancaram a mão direita de Capistrano.  "O forno da usina era enorme. Ideal para transformar em cinzas qualquer vestígio humano", lembra ele. 

Torturador, sabotador, matador de aluguel, Cláudio Guerra era um  dos policiais mais poderosos da década de 1970. "Circulava no eixo Rio-São Paulo-Minas Gerais com a desenvoltura de uma autoridade anônima consciente de seu poder de destruição humana. Hoje é um pastor evangélico que passa boa parte das manhãs de domingo estudando hebraico, e grande parte de seu tempo estudando a Bíblia", informa o livro. 

Foi preso pelo assassinato do bicheiro capixaba Jonathas Borlamarques de Souza e condenado a 18 anos de prisão - que está suspensa judicialmente - pelas mortes da primeira esposa e da cunhada.

Na lista de mortes atribuídas ao repressor estaria também outro potiguar perseguido pela ditadura: Emanuel Bezerra, torturado pela equipe de Fleury. Segundo denúncia dos presos políticos registradas no livro Tortura Nunca Mais, "Emanuel foi morto no DOI/CODI-SP, onde o mutilaram, arrancando-lhe os dedos, umbigo, testículos e pênis. No livro, Guerra relata como matou outro militante - Nestor Veras, do Comitê Central PCB: "Ele tinha  sido torturado e estava agonizando. Dei o tiro de misericórdia, na verdade dois, um no peito e outro na cabeça." 

De acordo com o portal iG, que teve acesso ao livro,  editado pela Topbooks, "o relato de Cláudio Guerra é impressionante. Tão detalhado e objetivo que tem tudo para se tornar um dos roteiros de trabalho da Comissão da verdade, criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988.

Notícia surpreende família Santa Cruz

Os 38 anos de procura por um filho morto e torturado durante o Regime Militar foi tema de dois livros da pernambucana Elzita Santa Cruz, mãe do jurista Fernando Augusto Santa Cruz  Oliveira. Ontem, a primeira notícia real sobre o destino do filho, que teve o corpo incinerado em 1974, surpreendeu a família. João Arthur Santa Cruz, que mora em Natal e é irmão de Fernando,  cobra punição aos envolvidos.

Vindo de uma família ligada ao socialismo, João Arthur explicou que Fernando Santa Cruz foi o terceiro filho de Elzita Santa Cruz que foi vítima do Regime Militar. Rosalina e Marcelo, hoje vereador em Olinda, também foram presos e torturados nos anos 70. Fernando Santa Cruz, que cursava Direito e era militante de movimentos políticos, foi impedido de prosseguir no curso e desapareceu no dia 24 de fevereiro de 1974, aos 24 anos de idade.

A prisão ocorreu em um sábado de Carnaval. O jovem estava no Rio de Janeiro, hospedado no apartamento do irmão, Marcelo, que residia na cidade. Fernando foi encontrar com o amigo e também militante político Eduardo Colier, em um bar localizado na rua Praia do Lemos, em Copacabana, zona Sul da capital Fluminense. Marcelo chegou a acompanhar o irmão até as proximidades do bar, mas retornou para casa devido à presença de visitas no apartamento. Foi a última vez que um familiar viu Fernando Santa Cruz - e início da via-crúcis de Elzita.

A mãe do jovem buscou informações junto a pessoas dentro do Exército e clamou pela vida do filho. Elzita percorreu várias unidades onde presos políticos estavam encarcerados e recebeu a notícia de que Fernando estava em um quartel em São Paulo. Chegando lá com roupas e alimentos para o filho, ela disse que não poderia encontrar com Fernando porque ele estava se recuperando de agressões que havia sofrido na prisão e, por isso, somente no outro dia poderia encontrá-lo. Porém, ao retornar, informaram que ele nunca esteve preso no local, o que revoltou a família. "Devolveram a sacola com as roupas e mantimentos com o nome Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira escrito. Mas minha mãe só tinha informado que o nome dele era Fernando Santa Cruz. Como eles sabiam do nome completo se não estava preso?", argumentou João Arthur, que mora em Natal e trabalha na Secretaria Estadual de Saúde  "Minha mãe nunca se conformou e hoje (ontem), com 98 anos, ela está lançando a segunda edição do livro "Onde está meu filho", que trata exatamente sobre o sumiço dos presos da época do Regime Militar. 

Ele disse que os familiares sabiam da morte, mas que a expectativa era que Fernando tivesse sido colocado em uma vala junto a outros presos. O objetivo da família é continuar cobrando que os responsáveis pelos crimes que continuam vivos paguem pelos delitos e informem onde podem estar os restos mortais dos presos. "Torço para que a presidenta finalize a composição da Comissão da Verdade para que sejam apurados todos os crimes e punidos os responsáveis."

Alex RégisMery: aberrações da ditaduraMery: aberrações da ditadura
Livro deve apressar trabalhos da Comissão da Verdade


Militantes dos direitos humanos avaliam que a divulgação dos relatos do ex-delegado do DOPS, Cláudio Guerra, reforça a necessidade de se apressar o trabalho da Comissão da Verdade, a ser criada pela presidência da República para apurar os crimes cometidos durante a Ditadura Militar. A comissão terá sete membros, que ainda não foram escolhidos pela presidenta Dilma Rousseff. Mery Medeiros, ex-preso político e militante da causa, acredita que a comissão é fundamental.

"Estamos sabendo mais do que realmente aconteceu durante a ditadura. Isso, essa confissão, esse mea culpa, é resultado da democracia. Tem coisas que ainda não foram divulgadas e que precisam ser apuradas. A sociedade ainda se choca com as aberrações, as barbáries cometidas naquele período", afirma Mery Medeiros, que ficou preso durante quatro anos. Ele complementa: "A comissão não visa o revanchismo, mas o estabelecimento da verdade".

Marcos Dionísio, também militante na área de direitos humanos, acredita que o livro com as confissões de Cláudio Guerra servirá de estímulo para que mais pessoas falem. "Isso sinaliza com a necessidade de se apressar a criação da comissão da verdade, para pôr um fim no sofrimento das famílias de pessoas atingidas pelo regime", encerra.

Alex RégisHaroldo Maranhão, sobrinho-neto de Luiz MaranhãoHaroldo Maranhão, sobrinho-neto de Luiz Maranhão
Bate papo


Haroldo Maranhão, sobrinho-neto de Luiz Maranhão

Nada muda para nossa família

Como a família viu a divulgação do relato do ex-delegado Cláudio Guerra?

Havia uma versão anteriormente contada pelo médico Amílcar Lobo, que fazia as perícias no regime. Nela, Luiz Maranhão havia recebido uma injeção letal, teve o corpo decepado e jogado em um rio em São Paulo. A nova versão tem fatos diferentes, mas nada muda para a família. Ainda se trata de um ato de barbárie contra um brasileiro, um patriota, um cidadão.

Por que nada muda?

Porque não temos nenhuma prova concreta, nenhum documento, nada que indique com certeza o que aconteceu. Esse relato foi feito por um ex-delegado, mas o Estado brasileiro ainda não se pronunciou sobre o que verdadeiramente aconteceu.

Na sua opinião, esse livro reforça a necessidade de uma comissão da verdade?

Reforça sim, sem dúvidas. Dei uma olhada no material publicado e o que há é a confissão de uma pessoal que participou da ditadura militar. Por que vou acreditar nessa e não na outra versão, embora o relato do ex-delegado tenha vários detalhes? São relatos trágicos e dolorosos que revelam a barbárie praticada nesse país.
Fonte: TNOnline

domingo, 29 de abril de 2012

2ª Conferência Estadual do PC do B Sobre a Emancipação da Mulher em São Gonçalo/RN


São Gonçalo do Amarante sediou a 2ª Conferência Estadual do PC do B Sobre a Emancipação da Mulher, o evento aconteceu sábado 28 de abril de 2012, no Teatro Municipal e contou com a presença de várias delegações vinda dos seguintes Municípios do Estado Rio Grande do Norte: Caicó, Caraúbas, Mossoró e Assu; Ceara Mirim, Parnamirim, Macaíba e Extremoz; Nísia Floresta, São José de Mipibú e Areia Branca; Grossos, Natal e São Gonçalo do Amarante.

Efigênio Silva - Cerimonial da Conferência


George Câmara, J. Oliveira, Olga e Célia; Antenor, Doquinha, Olga Aguiar e Joana D`arc 

Raimunda Gomes(Doquinha) Secretaria Nacional da Mulher - Conferencista

Público presente

Professora Célia Maria Coordenadora da UBM São Gonçalo

Grupo Teatral @bsolutas da PM/RN

Delegadas e delegados participantes
A abertura da Conferência foi abrilhantada com as peças culturais como o Projeto @BSOLUTAS DE POLICIAIS FEMININAS  da Polícia Militar/RN, Cordel de Hailton Mangabeira (sexo frágil uma ova) e o ator Jocélio Nunes da “Companhia de Teatro Caras e Bocas”, interpretando Joana, no monólogo: “GOTA D`ÁGUA”.

A representante da Secretaria Nacional da Mulher do PC do B e dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadora do Brasil – CTB, Raimunda Gomes (Doquinha)  expos a tese da conferência com os temas: A Luta pela Emancipação das Mulheres é Estratégica; Emancipação Política e Emancipação Humana; As Brasileiras na Atualidade; As Mulheres e o Novo Projeto de Desenvolvimento; e A luta pela Emancipação é Tarefa de Todo Partido.

Os dirigentes do Partido Comunista do Brasil e da União Brasileira de Mulheres a nível de Estado e Município que contribuíram com os debates e para o engrandecimento das teses discutidas: Antenor Roberto presidente do PC do B estadual, João Oliveira Presidente Municipal Natal e Olga Leide Presidenta do PC do B e ativista da UBM de São Gonçalo. As debatedoras Olga Aguiar funcionária pública federal, Joana D`arc fundadora da UBM Estadual e as delegadas e delegados representando os Municípios acima declinado, colaboraram com o acaloramento dos debates sobre os assunto pertinente ao mesmo.

No final foram eleitas as delegadas (os) que participarão da 2ª Conferência Nacional do PC do B Sobre a Emancipação da Mulher, como também a pauta de reivindicação que foi aprovada na Conferência Estadual para ser apresentada na Nacional.

A União Brasileira de Mulher – UBM São Gonçalo do Amarante que é composta pelas professoras Célia Maria, Cristina Rastafári, Olga Leide, Cida Bueno e Walquíria foi responsável junto com Direção Estadual pelo acontecimento da Conferência em São Gonçalo.


Segundo as organizadoras da atividade política-social em defesa dos direitos das mulheres, o ato conferencial foi um sucesso e superou todas as expectativas tanto do ponto de vista organizacional, estrutural e político. O evento aconteceu no momento ímpar de nossa História e servirá de lição para reflexão de homens e mulheres que desejam uma sociedade com justiça social. Ou seja, sem explorados   e sem exploradores. Finalizaram as Ubemistas sãogonçalenses.


Da redação por Efigênio Silva

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Cineasta que criticou Washington é perseguida em aeroporto

A americana Laura Poitras, autora do documentário The Oath, lançado em 2010 e candidato ao Oscar, é  perseguida em aeroportos por criticar Washington. Desde o 11 de setembro, leis de exceção dão carta branca para agentes bisbilhotarem bagagens e confiscarem bens


Laura Poitras, cineasta americana perseguida
Laura Poitras, cineasta americana perseguida
Após os atentados terroristas de setembro de 2001, o governo dos Estados Unidos criou uma serie de leis que autorizam a intromissão do Estado na vida privada dos cidadãos. Desde então, é cada vez maior o número de norte-americanos que viajam ao exterior e que ao retornar são detidos nos aeroportos, onde têm suas bagagens revistadas, e o conteúdo de computadores e celulares – e-mails, textos, vídeos e fotografias - é checado e copiado.

E não há a quem reclamar. As leis de exceção autorizam os funcionários do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) a fazer vistorias, mesmo sem autorização judicial, e o cidadão não tem qualquer possibilidade de pedir explicações. Ou seja, é como se desde o 11 de setembro a quarta emenda – que garante os direitos à intimidade e privacidade - tivesse desaparecido da Constituição norte-americana.

O documentário de Laura fala sobre os acusados pelos ataques de 11 de setembro e foi aclamado no Sundance Festival, além de ter sido indicado ao Oscar. Depois dele, Laura está entre dezenas de artistas perseguidos pela paranoia, soberba e preconceito americanos.

Com informações do Operamund
Apud P. Vermelho

Chile: 200 mil fazem passeata por ensino gratuito


Os líderes estudantis Noam Titelman, Camila Vallejo e Gabriel Boris marcham nesta quarta-feira (25) na primeira manifestação do ano. Na véspera, governo anunciou sistema de crédito estatal com taxa de juros fixa 


Noam, Camila e Gabriel, estudantes chilenos
Noam, Camila e Gabriel, jovens líderes estudantis chilenos na marcha
Cerca de 200 mil pessoas foram às ruas nesta quarta-feira (25) em todo o Chile para participar da primeira grande marcha estudantil do ano de 2012. Os manifestantes reivindicam, desde o ano passado, um sistema educacional público gratuito e de qualidade. Segundo as associações estudantis, a capital Santiago teve 80 mil pessoas saindo da Praça Itália, passando pela Casa da Moneda, residência presidencial, e terminando na Praça dos Heróis, em frente à embaixada do Brasil. O único foco de confronto registrado foi próximo ao mercado municipal de Santiago, quando boa parte das pessoas já havia voltado para casa e os líderes estudantis terminado seu discurso. 

Para o ministro da Educação, Harald Beyer, "a manifestação não se justifica, mas faz parte da liberdade de expressão". À véspera da marcha, o governo do presidente Sebastián Piñera, por meio do Ministério, anunciou, na terça-feira (24/04), uma série de medidas relativas à concessão de bolsas e ao financiamento do crédito universitário. As associações de estudantes, capitaneadas pela Confech (Confederação dos Estudantes do Chile), consideraram as ações governamentais um importante primeiro passo, porém insuficiente. Por isso, mantiveram o protesto.

Na terça (24), Beyer, anunciou o projeto de um novo crédito educativo. Entre as sete medidas específicas se destaca a criação de um fundo estatal que administrará os CAEs (créditos com aval do estado, principal programa de bolsas oferecido pelo governo), e não mais os bancos privados, como ocorre atualmente. O fundo é destinado somente a estudantes universitários.

Segundo Beyer, “o novo projeto nasceu de um estudo que buscou a forma mais barata de financiar as bolsas universitárias, e a que achamos mais conveniente era através de um novo organismo público”. O ministro, porém, não quis criticar o atual sistema: “o financiamento através dos bancos era o mais adequado em outro momento, mas o panorama atual indica que o volume de crédito vai crescer. Por isso, precisamos de outro modelo e uma mudança na forma de cobrança”.

Outro ponto importante da nova proposta governamental é a taxa fixa de juros para os novos créditos (que em um princípio será de 2% ao ano). O novo sistema de acesso às bolsas considerará critérios socioeconômicos e estipula uma fórmula de cobrança em que o pagamento das quotas ocorra somente quando o beneficiado entrar no mercado de trabalho.

Beyer acredita que, no futuro, o novo crédito educativo poderá cobrir até 90% dos universitários chilenos, mas não precisou quantos serãocontemplados no primeiro momento. Essa cifra dependerá do trâmite do projeto no Congresso. Por essa razão, ele fez um apelo pedindo pressa aos parlamentares. “Seria muito importante ter essas medidas implantadas já em 2013. Para isso precisamos de um debate o menos tumultuado possível”, afirmou.

O ministro negou que o anúncio das medidas na véspera da marcha fosse uma tentativa de esvaziar a mobilização. “As marchas estão autorizadas. Só esperamos que não haja distúrbios e que não seja uma atitude intransigente, que não feche as portas para um diálogo posterior”, concluiu Beyer.

Reação

“Uma pequena vitória dos que foram às ruas em 2011, mas que ainda não faz do panorama o ideal. Precisamos continuar mobilizados”, foi o termo usado pelo porta-voz da Confech e presidente da Feuc (Federação dos Estudantes da Universidade Católica) Noam Titelman para definir as medidas do governo.

O líder estudantil acredita que a saída dos bancos privados do sistema de crédito é um gesto na direção ao fim da busca pelo lucro na Educação, embora seja uma medida isolada. “Se o governo pode rever o lucro dos bancos também pode fazer o mesmo com as universidades. Senão cai em uma contradição e o projeto pode soar demagógico”, afirmou.

Após o anúncio, a Confech realizou uma reunião extraordinária, no final da tarde de terça, que terminou com a decisão de manter a marcha convocada para quarta. A vice-presidente da entidade, Camila Vallejo, afirmou que “ainda é cedo para saber o que se está propondo e como pretendem fazê-lo, para evitar que nos enganem com a letra miúda, que tem sido comum neste governo”.

Em entrevista ao Opera Mundi, Camila deixou clara sua desconfiança com respeito à proposta de Beyer: “É no mínimo intrigante o fato de os bancos estarem dispostos a perder um negócio tão grande como o sistema de crédito. Merecemos saber se eles realmente não receberão algo em troca”.

Sobre a marcha desta quarta-feira, a estudante, apontada pela revista norte-americana Time como uma das pessoas mais influentes do mundo em 2011, considera que “será o momento de revalidar as bandeiras do ano passado, e de dizer ao governo que queremos propostas claras, visando acabar com o endividamento das famílias e não apenas diminuir o problema. E isso só se consegue com gratuidade”.

A marcha estudantil desta quarta (25) foi realizada nas principais capitais provinciais do país. Em Santiago, a última marcha que teve autorização para passar em frente ao palácio presidencial aconteceu em 14 de julho de 2011.

Fonte: Opera Mundi

Apud P. Vermelho

Minas Gerais realiza 4º encontro de movimentos sociais

Cerca de 70 organizações convocam a sociedade mineira para debater os impactos das privatizações e precarização do trabalho

Por Joana Tavares*


4º Encontro de Movimentos Sociais - MG
4º Encontro de Movimentos Sociais - MG
Entre os dias 27 e 30 de abril, a praça da Assembleia, em Belo Horizonte (MG), vai sediar o 4º Encontro dos Movimentos Sociais, com o tema “Por um Projeto Popular para o Brasil – em defesa dos nossos direitos e contra as privatizações”. Cerca de 70 organizações, entre sindicatos, movimentos populares, pastorais e entidades estudantis convocam a sociedade mineira a discutir a necessidade de um projeto voltado para os interesses da maioria da população e a debater os impactos das privatizações e precarização do trabalho. 

“O 4º encontro tem por objetivos fortalecer a construção do Projeto Popular em Minas, combater as medidas neoliberais que têm sido implementadas pelos governos do PSDB, de Aécio e Anastasia, e proporcionar maior unidade nas lutas populares através da construção de uma plataforma dos movimentos sociais”, coloca Frederico Santana Rick, da assembleia popular.

O encontro será dividido em quatro eixos: as privatizações e o mundo do trabalho; educação e juventude; soberania popular e reformas estruturais e a vida das mulheres. O primeiro encontro foi realizado em 2006, paralelo à reunião do BID no estado, e reuniu 2 mil pessoas. O segundo, em 2007, teve como marca a campanha contra a transposição do Rio São Francisco. O terceiro, realizado em 2011, teve como tema “"Minas não quer choque, quer terra, trabalho e educação", e denunciou a falácia do choque de gestão do governo PSDB e o sucateamento das políticas sociais.

Na programação do 4º encontro, além de palestras e painéis, estão previstas atividades culturais, como a apresentação de Pereira da Viola, de grupos de Hip Hop e a noite do samba, com Aline Calixto.

A programação completa está no endereço http://www.minaslivre.com.br/encontromovimentossociais
Fonte: Brasil de Fato

Terrorismo internacional ameaça a segurança e a paz no mundo, adverte ONU

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) advertiu nessa quarta-feira (25) que a paz e a segurança internacionais estão ameaçadas devido ao tráfico de drogas, armas e seres humanos nas diversas regiões fronteiriças. "As organizações e redes criminosas melhor equipadas com novas tecnologias de informação e comunicação diversificam e expandem suas operações ilícitas", diz o texto da ONU.

O assunto foi debatido durante a reunião do conselho,a pedido da chefe da delegação dos Estados Unidos, Susan Rice. O texto advertindo sobre as ameaças do terrorismo foi aprovado pelos 15 integrantes do órgão - cinco permanentes e dez rotativos.

O Conselho de Segurança pediu ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, para preparar, em seis meses, um relatório sobre o trabalho da ONU relativo ao combate ao tráfico ilícito nas regiões fronteiriças. O trabalho deverá ser submetido ao Conselho de Segurança.

Ki-moon reiterou que a ONU apoia as ações dos países interessados em combater o terrorismo para garantir a segurança das suas fronteiras contra atividades ilícitas. No começo deste mês, o presidente norte-americano, Barack Obama, defendeu, durante a 6ª Cúpula das Américas, no México, uma ação coordenada para combater o terrorismo internacional.
Fonte: TNOnline

Lançamento de documentário reúne Dilma e Lula em sessão de cinema no Museu da República

A presidenta Dilma Rousseff tirou a noite de hoje (25) para assistir ao lançamento do documentário Pela Primeira Vez, produzido e dirigido por Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante seus dois mandatos. A exibição marcou também o retorno de Lula a Brasília depois do desaparecimento de um tumor na laringe, diagnosticado em outubro do ano passado.
Agência BrasilLançamento de documentário reúne Dilma e Lula em sessão de cinema no Museu da RepúblicaLançamento de documentário reúne Dilma e Lula em sessão de cinema no Museu da República

Com mais de uma hora de atraso, Dilma e Lula chegaram juntos à sessão de cinema, no auditório do Museu da República, e foram recebidos com palmas pelo público. Os dois estavam acompanhados pelo ex-ministro da Educação Fernando Haddad e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

O filme, produzido em terceira dimensão (3D), documenta os últimos momentos de Lula como presidente da República e os primeiros de Dilma Rousseff no posto mais alto do país. Durante 35 minutos, a plateia, que lotou o auditório, viu o momento em que Lula passou a faixa presidencial a Dilma, a sua saída do Palácio do Planalto, a despedida junto ao povo aglomerado na Praça dos Três Poderes, o encontro emocionado com o vice-presidente José Alencar, no hospital, após a posse de Dilma e a sua diplomação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o primeiro discurso no Congresso Nacional.

Ao final da sessão, Lula elogiou o trabalho da presidenta no comando do país. "Tudo que a gente falava da companheira Dilma antes da campanha era pouco diante do que ela está fazendo", declarou. "Estou muito emocionada", disse a presidenta depois de ver o filme.

*Fonte: Agência Brasil

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